Até breve, Stan Lee

Nossa singela homenagem à influência de Stan Lee na história da Marvel.

Não é possível dizer nada sobre Stan Lee que faça justiça ao seu legado. Não alcançam as palavras para descrever a sua brilhante genialidade e influência, tão grandes que são só comparáveis às dos maiores artistas do século XX. Porque se os quadrinhos são considerados uma arte por direito próprio, então Stan Lee deve ser reconhecido como o principal expoente dessa arte.
Os quadrinhos já existiam quando ele começou a trabalhar na Timely Comics (depois rebatizada como Marvel Comics) em 1940, como assistente de Joe Simon e Jack Kirby. Stan era só um adolescente com aspirações de escritor. Seu sonho, como ele mesmo contou em diversas oportunidades, era “escrever a Grande Novela americana”. Sempre contou também que durante muito tempo sentiu vergonha de não ter escrito nunca essa grande história, sem perceber que ele tinha criado algo tão importante quanto. Stan Lee começou a escrever em 1941, sendo o seu primeiro gibi o número 3 de Capitão América. Nesse mesmo ano ele criou o seu primeiro super-herói: o Destroyer. Em 1942 ele se alistou no exército e voltou para casa em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Durante os anos 50, os comics de super-heróis foram considerados fora de moda e Lee passou a escrever quadrinhos de outros gêneros, como faroeste, romance, humor, suspense, etc. Mas no final da década Lee se sentia frustrado com os rumos do seu trabalho.
Foi quando ele estava a ponto de abandonar sua carreira de autor de histórias em quadrinhos que ele prestou a sua maior colaboração a essa arte: dando humanidade aos super-heróis. Stan Lee se afastou do arquétipo do super-herói perfeito, praticamente um deus, para transformá-lo em um ser humano com problemas, fraquezas e defeitos. E ao fazer isto, conferiu profundidade e complexidade ao gênero como este nunca antes havia tido.
Assim, na década de 60 nasceram os grandes super-heróis da Marvel, sendo a maioria de sua autoria: os 4 Fantásticos, Homem-Aranha, Hulk, Thor, Homem de Ferro, os X-Men, os Inumanos, Daredevil, Pantera Negra, Doutor Estranho e os Vingadores. Todos eles lutavam não só contra os vilões do momento, mas principalmente contra seus próprios demônios internos e contra os preconceitos da sociedade.
Foi a partir dessa revolução que os quadrinhos alcançaram a sua maioridade e conquistaram seu lugar como meio de comunicação e como arte. Stan Lee mudou a percepção generalizada sobre o gibi, e em especial sobre o gênero de super-heróis, que conseguiu revitalizar após vários anos de decadência. As criações de Stan Lee marcaram um antes e depois para a Marvel e para o mundo das histórias em quadrinhos. A partir de então, os heróis de Stan Lee foram o ponto de comparação e o que todo artista aspirava. Stan foi o padrinho das seguintes gerações de escritores e ilustradores, e nenhum escapou à sua enorme influência.
Em 1972, Stan Lee deixou de escrever mensalmente para assumir o posto de Editor da Marvel Comics. No começo dos anos 80 chegou a ser Presidente da Marvel, mas logo decidiu voltar ao seu papel de Editor para se concentrar no lado criativo do negócio. Foi nessa mesma época que Stan começou a trabalhar nas propriedades da Marvel para o Cinema e a TV, antecipando-se ao rumo que a Marvel Studios tomaria muitos anos mais tarde.
Atualmente os super-heróis criados por Stan Lee não apenas vendem milhões de gibis por ano, mas principalmente arrecadam bilhões de dólares anuais nas salas de cinema do mundo todo. É possível que ainda tenha gente que não saiba quem foi Stan Lee, mas parece impossível que exista alguém que não conheça pelo menos um de seus personagens. Por tais motivos, a influência de Stan Lee na cultura pop é gigante, bem como é imenso o seu legado para a indústria do entretenimento, dos quadrinhos e do cinema.